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Dentre todos os aspectos que envolvem as semelhanças entre pai e
filho, a ciência explica muitos deles através da chamada herança genética.
Porém, os mistérios existenciais que a ciência ainda não explica são as
características que marcam a personalidade de um ser humano e não são
adquiridas nem geneticamente nem através do convívio social. São definitivamente
questões que a razão desconhece. Parecem do mesmo estigma
que não define claramente a linha que separa o dinheiro e o poder,
a mentira e a verdade, o presente e o passado, pai e filho, bem e mal,
sucesso e fracasso, certo e errado. Para o senador Diridório Domingues
não é demais esperar que o filho seja parecido com ele. Para o filho,
não parecia muito pedir que o pai parasse de mentir. Só que ambos,
esperam mais do que o outro é capaz de dar. Esta questão nos remete diretamente
a outras:
Onde fica o respeito quando não se tem admiração?
Onde fica o orgulho quando não se tem qualidades a apreciar?
Onde fica o amor?
Pode existir amor sem admiração?
Pode existir admiração sem amor?
A vida de senador Diridório Domingues e a de seu filho Alberto
nos leva ao deleite de conhecer os fatos engraçados, as trapaças bem
e as malsucedidas, os ensinamentos torpes, os valores distorcidos, mas
reais da vida de um malandro. Todavia, nos leva principalmente a
conhecer as exaustivas tentativas de Diridório para transformar o filho
num malandro igual a ele. E as incansáveis resistências do filho em
ser transformado num malandro como o pai. E todas as tentativas
inúteis de ambos se fazerem mudar. |